Sou Adriana Fernandes e apresento aqui temas jurídicos relacionados ao nosso cotidiano. De leitura fácil e, as vezes, divertida, os textos contam casos corriqueiros relacionando-os com o Direito. Entre e fique à vontade!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

sábado, 21 de janeiro de 2017

A vida em palavras

Transformando pequenos acontecimentos corriqueiros em textos no meu blog ou no Facebook, observei o quanto as pessoas são carentes de informação. Não que falte orientação. Falta vontade de ler. Faltam instrumentos que prendam o leitor. Passei então a escrever textos informativos de uma maneira leve, descontraída, sem a chatice do juridiquês. 

Esta obra (Editora Multifoco, 232 páginas) fala sobre divórcio, alimentos, indenizações, segurança pública, animais de estimação, difamação e outras repercussões legais de nossos atos e palavras. Leveza e bom humor são características da maioria dos textos, que remetem sempre ao leitor como ator principal das consequências jurídicas das situações em que se envolve. 

Uma conversa no supermercado, um tombo diante do bofe que te elogiou, uma reunião de condomínio, um animal abandonado, uma paquera num site de relacionamentos, tudo acaba em informação jurídica ou em boas risadas. Algumas vezes, nas duas coisas: informação jurídica com boas risadas. É a proposta desta obra: dar às pessoas motivos para sorrir, oferecendo informações para o exercício de direitos ou mostrando a necessidade de cumprimento de deveres. 

Mas nem só de leis se vive e escrevo também reflexões sobre o que percebo no dia a dia. Às vezes com humor, outras vezes com indignação, traduzo a vida em palavras. Neste livro estão reunidos textos publicados semanalmente na coluna do Projeto Alo Doutora, além de outros inéditos. Gosto de escrever. E gosto do que escrevo. Espero que você goste também. 


Preço: R$ 42,00

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Síndico

Excelente reportagem sobre as responsabilidades no condomínio!
Clique aqui.

sábado, 22 de outubro de 2016

Neto não herda de avós

- Oh, don Driana, eu queria perguntá um negósso pa sinhora. Caus qui o vô dos meus minino morreu e o pai dês recebeu herança e num deu nada pa nós. Como quiu faço pa recebê a parte que meus minino tem direito?

- Nada. Neto não é herdeiro.

- Comanssim??? Minha vizinha lá perdicasa, separada tamém, os minino dela recebero a herança do vô deles.

- O pai dos meninos, filho do falecido, ex-marido de sua vizinha, era vivo?

- Era não, senhora.

- Então, os meninos receberam a herança do pai falecido e não do avô.

- Tendi...

- Seu ex-marido é vivo.

- É, sinsinhora.

- Então ele recebeu a herança do pai dele e não tem que deixar herança pra ninguém.

- Tendi...

Mentira! Entendeu nada! Mas tem coisa também que nem adianta ficar explicando, principalmente quando se refere a dinheiro. A pessoa quer receber e ponto final. Não quer entender. Quer receber.

Sempre me perguntam quanto cabe de herança para os filhos quando o pai ou mãe deles recebe uma herança. O pai de João faleceu e ele recebeu a herança. Quanto deve repassar para seus filhos, netos do falecido? Nada! Absolutamente nada!  Neto não é herdeiro direto de avô. E herança só se distribui com a morte. Gente viva não distribui herança.

É assim:

Quando alguém morre, sua herança é dividida com seus descendentes, junto com seu cônjuge ou companheiro. Descendentes são os filhos. Apenas se os filhos tiverem falecido é que a parte deles será direcionada aos netos, aos filhos dos filhos falecidos.

Dona Maria morreu. Deixou herança. E teve 3 filhos. José, Antônio e Rosa. José é solteiro, não tem filhos. Antônio, que morreu antes de dona Maria, tem 2 filhos. Rosa também tem 2 filhos. A herança será dividia como se dona Maria tivesse 3 filhos vivos. José, Antônio e Rosa recebem então partes iguais. Mas Antonio já é falecido, aí a parte dele será dividida entre seus 2 filhos. Eles não herdam como netos, herdam como representantes de seu pai. Tanto, que Rosa também tem 2 filhos, mas estes não receberam nada. Quem tem direito é José, os 2 filhos de Antônio e Rosa.

A possibilidade de neto herdar de avô, quando os pais são vivos, só ocorre quando o falecido deixa testamento beneficiando aquele parente.

Quem recebe uma herança, se vivo estiver, não tem que repassar nada a seus filhos.

- Uai, don Driana, ma ele paga pensão...

- Sim. Deve continuar pagando. Mas herança não é igual acerto trabalhista. A pensão não incide na herança. Quem a recebe não tem obrigação de guardar nada para seus próprios filhos.

- Qué dizê intaum, que meus minino levaro ferro?

Eu falei que ela não queria entender... Só quer receber rsrsrs

- Não! Seus meninos não foram prejudicados, porque eles não têm direito nenhum. Lever ferro, isto é, ter prejuízo somente ocorre quando você tem direito a algo e perde este direito. Não é o caso.

- Só sei de ua coisa, dotôra: quandé pa beneficiá fi de pobre, as lei é dum jeito; pa beneficiá fi de rico, as lei é doutro jeito...

Nem vou insistir. A pessoa não quer entender. O vício do coitadismo, de ser a eterna vítima da vida fala mais alto.

Mas ocês que tão lendo intendero, né?! Herdeiro é filho. Somente se o filho tiver falecido é que os netos herdam no lugar dele.

Muita luz para todos nós!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Quando o tiro sai pela culatra


Clique aqui para ler o texto que você veio procurar.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Respeite o advogado criminalista!

Não é raro ouvirmos ataques à ética do advogado que defende criminosos. Chegam mesmo a dizer que quem faz defesa deste tipo de cliente é igual a ele. Será mesmo? Você, que defende tal ideia, tem a exata noção do que diz? Porque pra se meter em assunto tão complexo, você tem que saber o que é “ser criminoso”, o que é “ser advogado”, o que é “ética” e o que é “fazer uma defesa”. Para continuar defendendo seu argumento, você provavelmente vai dizer que sabe ou que, se não sabe, não importa!

Você não sabe o que diz! E importa sim saber o que está falando! E vou te demonstrar agora que além de não ter conhecimento de causa, você está errado em suas conclusões.

A Constituição Federal determina que ninguém será preso ou deverá ressarcir um dano sem o devido processo legal. Começa por aí: o princípio do devido processo legal. Ou seja, ninguém será condenado sem que tenha sido processado. E um processo, o processo legal, é: acusação, defesa, prova, sentença, recurso, acórdão, recurso, acórdão. Tem que passar por todas estas etapas para ser definitivamente condenado. Impossível ser condenado sem percorrer tal caminho. É assim: se tem acusação, tem que ter defesa; ambos tem que ter provas; só assim se tem a sentença. Somente se houver sentença é que se pode recorrer e se houver recurso tem que ter decisão (acórdão). E somente se houver acórdão, pode-se recorrer aos Tribunais Superiores e eles têm que dar a palavra final. A grosso modo falando, claro, não estou aqui dando aula para graduandos. Perceba que se não tiver um, não tem o outro. Se não tiver defesa, o processo para e não terá sentença. Se não houver sentença ou acórdão, não haverá condenação. Sem condenação, não haverá prisão ou ressarcimento de danos. Sem defesa, o criminoso não pode ser condenado e preso. É preciso que ele tenha garantido o direito de defesa, respondendo a todas as acusações que pesam sobre ele.

A defesa no processo jurídico somente pode ser feita por um profissional técnico habilitado para tal: o advogado. O criminoso tem que ter um advogado e se não tiver, o Estado paga um para ele (defensor público).

Então chegamos ao primeiro ponto: se o advogado não defender o criminoso, nunca será possível condenar o malfeitor e fazê-lo pagar pelo que fez. Não há nada de antiético, nem de imoral, nem de depreciativo em fazer a defesa de quem praticou um crime. Muito pelo contrário, é um grande serviço à sociedade, já que só assim é possível punir alguém. A falta de advogado de defesa é mais um fator que leva à tão discutida impunidade no país.

Mas não para por aí. Como falei, o assunto é complexo. É tema técnico. Não se trata de algo que se possa chegar á uma conclusão à base de mero blá blá blá, de opiniões leigas.

O segundo ponto é: quem é criminoso? O que é “ser criminoso”? O óbvio: cometeu um crime, é criminoso. Ainda que somente se possa dizer que a pessoa é criminosa depois de condenada, a gente já antecipa o julgamento e chama o “processado” (que responde a um processo) de “criminoso” (condenado pela prática de um crime).

Mas um dito criminoso pode ser um trabalhador. Pode ser uma boa pessoa. Pode sim! Se você atropela alguém e essa pessoa morre, você é um criminoso. É trabalhador, é gente boa e é criminoso.  Se você comprou um objeto sem saber a procedência e acabou por praticar a receptação, você é trabalhador, é gente boa e é criminoso. Se você responde a um processo com base na Lei Maria da Penha, você é trabalhador, não é tão gente boa quanto pensa que é e é um criminoso. Se você não paga a pensão alimento de seus filhos, você é trabalhador, não é gente boa e é um criminoso (abandono material de incapaz). Se você é o terror do bairro, vive no bar e mata sem dó quem te enche o saco, você não é trabalhador, não é gente boa e é criminoso. Se você vive de pequenos furtos, você não é trabalhador, não é gente boa e é criminoso. Não podemos colocar bandidos e criminosos no mesmo saco. Todo bandido é criminoso. Nem todo criminoso é bandido.

Criminoso, como já foi dito, é quem comete (na verdade, quem foi condenado por) um crime. Bandido é quem vive de crimes. Bandido é quem reiteradamente comete crimes. Por isso, é fácil encontrar um criminoso trabalhador. Alguém que cometeu um ato impensado num momento de fragilidade emocional ou de ira extrema. E que dificilmente fará isso de novo. O Bandido, não. Ele vive de cometer delitos, tem ficha criminal extensa, age friamente porque este é seu ofício, e é reincidente. Bandido pode até ser “gente boa”, porque tem uma lábia, um discurso muito convincente. Mas não é trabalhador. Não podemos tratar como igual um criminoso e um bandido! Um profissional que comete um erro e causa prejuízo ou a morte de alguém é criminoso, mas não é um bandido. E o que não faltam são exemplos de um e de outro.

Agora sim, ciente que para ser punido tem que se ter defesa jurídica e que apesar de bandido ser criminoso, criminoso pode não ser bandido, você pode dar sua opinião sobre a advocacia criminal.

Aliás, esta distinção entre bandido e criminoso nos ajuda também a entender o auxílio reclusão, que é pago aos beneficiários do criminoso, nunca aos beneficiários do bandido. É que o criminoso que estava trabalhando contribuía para o INSS e por isso, tem tal direito. O bandido, não. O auxílio reclusão é devido à família do criminoso, não à do bandido.

Mas e aí? Agora dá pra conversar. O que você pensa sobre advogado que defende criminoso? E o que você pensa sobre advogado que defende bandido? Acredita que seria melhor para a sociedade que advogados não defendessem criminosos e bandidos, deixando que estes fiquem sem defesa no processo?

Art. 133, da Constituição da República: o advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.


Muita luz para todos nós!

domingo, 25 de setembro de 2016

Indenização por quedas em calçadas

Imagine aquele gato, fardado, forte, te elogiando. Aconteceu comigo certa vez, quando fui com uma amiga advogada resolver o problema de um cliente no Presídio de Ribeirão das Neves/MG, num final da tarde. Pois é. A gente bateu um papo legal enquanto eu aguardava atendimento. Ao ir embora, já um pouco distante, ele soltou o gracejo. Sabe o que eu fiz? Fiz a proeza de pisar em falso, cambalear e me estatelar no chão, na frente do moço. Sabe aquele tombo horroroso? Foi o caso. Ralei os joelhos e as mãos. Pense numa pessoa com vontade de morrer, de tanta vergonha. Eu! Estava de salto, atravessando a rua calçada, com pedras bastante irregulares. Não deu outra, um belo de um tombo. Antes que ele pudesse me socorrer, minha amiga, em gargalhadas, me ajudou a levantar e eu só queria ir embora dali, o mais rápido possível. Ainda não inventaram remédio pra vergonha e nos dias seguintes, eu sentia calafrios ao pensar na situação. Já as dores no corpo foram amenizadas com relaxantes musculares.

Não é raro pessoas caírem na rua. Afinal, somos distraídos e na maioria dos casos não usamos calçados adequados. Em especial, nós mulheres. Tanto os saltos quanto as rasteirinhas ou mesmo chinelos de dedo são perigosos e podem nos levar a uma queda. Além disso, muitas calçadas não são mantidas em bom estado de conservação, são irregulares e até mesmo esburacadas.

O Município é o responsável pela conservação das vias públicas. Por isso, quando alguém se machuca por um tombo em razão da má conservação da calçada, pode ser indenizado por isso. O mesmo ocorre quando um carro estraga por ter passado em um buraco. Os gastos de conserto ou troca da roda podem ser cobrados do ente responsável pela manutenção daquela via, que pode ser o Governo municipal, estadual ou federal, conforme o caso.

No dia que passei a vergonha pelo tompo, caí “de madura”, como se diz. Caí de bobeira mesmo. Bobeira de usar um calçado que não me dava segurança naquele tipo de rua. Mas e se eu tivesse caído na calçada? E se a calçada fosse irregular ou má conservada? Neste caso, de acordo com a lesão que eu pudesse ter, deveria ser indenizada. Uma indenização material, que compreende os gastos com curativos, medicamentos, tratamentos, dias sem trabalhar, etc. e uma indenização por dano moral, por ter me machucado. Claro que alguns arranhões não mereceriam tamanha atenção. Mas uma fratura, uma luxação, algo que cause dor e que impossibilite a pessoa de realizar as atividades do dia a dia, sim, receberiam destaque no que se refere ao dever de indenizar. Imagine uma sequela maior ou algo até definitivo...

Os casos mais simples, de invalidez temporária, decorrente de lesão corporal sem gravidade, podem gerar indenizações por dano moral a partir de R$ 2.000,00 (dois mil reais). Casos graves podem ser indenizados em até R$ 50.000,00. Os valores irão variar de estado para estado.

A má notícia, benzinho, é que se você for o responsável pela calçada má conservada, você pode ser obrigado a pagar esta indenização, mais os gastos que já mencionei (dano material).

Como falei antes, o Município é o responsável pela conservação de vias públicas. Porém, ele pode expedir uma lei, transferindo para o proprietário do imóvel enfrente, a responsabilidade pela conservação e manutenção da calçada. É comum inclusive, ter o IPTU aumentado ser não houver a devida manutenção. Em muitas cidades Brasil afora é assim. Ora! Se você deve cuidar da manutenção da calçada e não o faz, você é o responsável pela queda de alguém, caso ocorra. E é você quem pagará a indenização. Não é comum, mas acontece. Normalmente, as pessoas preferem processar o Município, pois é mais fácil receber a indenização de uma pessoa jurídica que de uma pessoa física. Porém, a responsabilidade é solidária. Isto significa que tanto a Prefeitura quanto o proprietário do imóvel são responsáveis. Assim, a pessoa que se machucou pode processar o Município, o proprietário que deveria ter cuidado da calçada ou os dois. Pior: pode a pessoa processar e ser indenizada pelo Município e este cobrar a indenização do proprietário do imóvel.

Assim, fique atento! Mantenha sua calçada bem conservada, havendo ou não lei que o obrigue a isso. E se tiver lei, seja mais cauteloso ainda, pois pode vir a ser responsabilizado pela queda de um pedestre.

Muita luz para todos nós!

sábado, 24 de setembro de 2016

Pensão Alimento

Um dos principais assuntos sobre o qual as pessoas mais buscam informação é a Pensão Alimento. E não é difícil saber porquê: parece que nunca houve tantas crianças geradas fora de um relacionamento estável como nos últimos tempos. E a coisa está tão séria, as mulheres são abandonadas tão cedo, que agora a lei admite até o pensionamento a partir da gravidez. É um avanço. Mas é triste...

Bom, vamos lá!

As pessoas têm a ideia de que a pensão alimento é fixada no mínimo em 30% dos rendimentos de quem deve pagar. Não é bem assim! O percentual da pensão é variável, dependendo da realidade da família, cuidadosamente analisada pelo juiz. Já vi pensão fixada em 15% sobre um salário muito alto e também vi pensão fixada em 70% do salário mínimo. É o que as partes trouxerem de provas ao processo sobre suas despesas é que vai fazer o juiz determinar o melhor percentual. E para isso será considerada as despesas com nova família, outros filhos, estudos dos pais e dos filhos, tratamentos, moradia e o que mais houver.

Quem é empregado paga a pensão sobre a remuneração, descontada na folha de pagamento. O percentual de desconto incidirá sobre os vencimentos líquidos, que é o valor bruto do salário, excluindo apenas o INSS e Imposto de Renda. É importante pedir que conste da sentença ou acordo que a pensão recaia também sobre o décimo-terceiro salário, as horas extras e as férias.

O autônomo ou desempregado paga um percentual sobre o salário mínimo. Sim, desempregado tem que alimentar os filhos! A menos que faça um acordo com a mãe/pai da criança e fique liberado do pensionamento por alguns meses, até se firmar em nova atividade. E neste caso, do desemprego, é importante saber que a pensão incide sobre o acerto de dispensa e sobre o seguro desemprego.

A pensão pode ser revista a qualquer tempo, para mais ou para menos. Se quem paga vier a ter sua condição financeira rebaixada, pode pedir diminuição da pensão. Ou se a criança vier a necessitar de maiores cuidados, que demandam maiores despesas, pode ser determinado o aumento do valor. Mas atenção: tudo deve ser provado em juízo, tanto a mudança na situação financeira, quanto a real necessidade de novos gastos. Se, por exemplo, a mãe acredita que o jovem precisa de um curso de inglês e o pai não tem condição de pagar, o juiz não determinará o aumento da pensão, porque tal curso não é essencial para a sobrevivência do menor. Bom senso é fundamental!

Mas se a pensão não for paga e o juiz não for comunicado, por meio de advogado, da impossibilidade de pagamento, a dívida será protestada em cartório e será decretada a prisão do devedor por até 90 dias (quando se referir a débito de até 3 meses de atraso). Mesmo cumprindo a pena, a dívida permanece, não é quitada. Neste caso, ou mesmo quando não for situação de prisão (cobrança acima de 3 meses de débito), bens serão penhorados. Também é possível parcelar a dívida para desconto em folha de pagamento. Mas a soma da parcela em atraso mais a pensão devida não pode ultrapassar 50% dos rendimentos líquidos do devedor.

Uma possibilidade bastante desfavorável ao devedor ou àquele que se esconde para não responder ao processo, é o fato do não pagamento da pensão poder se estender além da esfera cível e se transformar em processo penal. É que o abandono material de incapaz (não arcar com a sobrevivência de um filho) configura crime, com pena de 1 a 4 anos de detenção e multa de 1 a 10 salários mínimos. O juiz poderá requisitar ao Ministério Público que processe criminalmente o devedor de alimentos, se entender que ele esta procrastinando, ou seja, se houver indícios de que ele se esconde ou cria outras situações que venham a dificultar o andamento normal do processo ou o pagamento da pensão ou ainda a cobrança da dívida. Deu ruim, mano!

Sobre o fim do pagamento da pensão, não prevalece a ideia de que ela se encerra aos 18 anos. É o juiz quem determina quando ela cessará. Já presenciei juiz tirar pensão de jovem de 18 anos que não estudava nem trabalhava. Mas também tive um caso de um rapaz de 23 anos que trabalhava, mas que informou ao magistrado que precisava dos alimentos para complementar a mensalidade da faculdade; e foi mantida a pensão. É a situação das partes e, especialmente, a perspectiva de vida do jovem que vai determinar o momento de retirada da pensão.

E temos ainda os alimentos gravídicos. Se a mulher engravidar e não tiver apoio do pai da criança, pode requerer a pensão em juízo. Havendo provas de que aquele rapaz era sempre visto como namorado ou ficante dela, pressupõe-se que ele é o pai e será obrigado a pegar a pensão, para ajuda nos gastos relativos aos exames, consultas, enxoval. Após o nascimento da criança, feito o DNA, se ficar comprovado que ele não é o pai, a mãe da criança e o verdadeiro pai, se encontrado, deverão indenizá-lo. Mas se a moça não tiver uma história, uma convivência com alguém que possa ser considerado o possível pai, dificilmente conseguirá a pensão.

Enfim, cada caso é um caso e qualquer tentativa de prever uma fórmula padrão de determinação da obrigação de pagar os alimentos pode não corresponder à realidade.

Pra finalizar, não posso deixar de mencionar que camisinha custa bem mais barato que fraldas; filho não pode ser apenas um filho, um sonho, ele deve sempre que possível vir como fruto planejado de uma relação madura e estável; e a vinda de um filho somente vai ser vista com a devida responsabilidade, quando pais e mães souberem perceber o afloramento da sexualidade de seus filhos e orienta-los à prevenção de doenças e gravidez indesejada.

Muita luz para todos nós!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Advogado sofre... E cliente também!

Na ação social do Projeto Alô Doutora nesta semana, me deparei com uma situação bastante inusitada. Dos atendimentos que realizei, três chamaram minha atenção: uma senhora, irmã de uma advogada; outra senhora, funcionária de um escritório de advocacia; e um senhor, cliente de um excelente advogado. Todos buscando informação jurídica para seus casos.

A gente imagina que quem pode pagar um excelente advogado, quem trabalha na área ou possui o profissional na família, jamais teria necessidade de buscar informações com terceiros. Mas isso não é verdade e os motivos são os diversos possíveis. A que trabalha no escritório, tem vergonha de incomodar os patrões com suas dúvidas. O cliente do advogado particular, não entende as consequências da proposta que ele fez para solução do caso. E a irmã de uma colega se sente abandonada pela mesma.

De fato, são incontáveis os motivos que podem levar as pessoas a não conseguir estabelecer uma relação de confiança com o profissional que contrata. Algumas vezes culpa do advogado, que não é transparente e não se comunica com clareza; outras vezes culpa do cliente que não consegue exteriorizar o que pretende e o que sente. Acontece muito do advogado ter dificuldades em explicar determinadas situações para o cliente. E também é recorrente o cliente não conseguir entender o que o nós falamos.

Fiquei refletindo sobre isso e lembrei de algumas situações tragicômicas, pelas quais passei no exercício da advocacia.

Uma delas contei essa semana no Facebook. Advogando para minha mãe, orientei a mesma sobre o que não deveria dizer na audiência. Não se trata de fazê-la mentir, mas de focar no que importa, já que ela é o tipo de pessoa que fala muito mais do que lhe é perguntado. Durante a audiência, quando o juiz fez a primeira pergunta, ela soltou a matraca e falava o que podia e o que não podia. Dei uma cutucada com o pé por baixo da mesa e ela se afastou. E continuou falando. Cutuquei de novo e novamente ela se afastou. Quando dei uma cutucada mais forte, ela parou de falar e em alto e bom som disse, olhando pra mim: “Aiê! Que que cê quer???” Dá pra imaginar o aperto em que fiquei.  

Tive outro caso, em que só ajuizei a ação porque a cliente jurava ter uma testemunha, só esta, que não poderia apresentar naquele momento, porque o moço estava em outra cidade a trabalho, mas que estaria disposto a vir para a audiência. Liguei pro rapaz, ele confirmou que havia visto tudo e que viria. Fiquei tranquila e distribuí a petição. Marcada a audiência, mais de um ano depois do ajuizamento da ação, e mais de 3 anos após o fato, o moço veio se reunir comigo. Quando solicitei que contasse o que ele viu, ele disse que não se lembrava mais, por ter passado tanto tempo. Quase tive um troço! Respirei fundo e refresquei sua memória, até que ele se lembrou e me contou detalhes de como minha cliente tinha caído ao descer do ônibus. Acontece que o acidente ocorreu enquanto ela SUBIA. Depois de algumas tentativas, sem sentir qualquer segurança na testemunha, avisei a cliente que perderíamos a ação. O que nos salvou foi uma proposta de acordo promovida pela parte contrária e à qual aderimos sem pestanejar.

Existem ainda aqueles clientes que te convencem da injustiça que sofrem e no decorrer do processo você é surpreendida com a descoberta das mentiras da pessoa. E aqueles que pagam o profissional e, insatisfeitos, pedem para você dar continuidade, já comunicando que não tem um tostão para te pagar, pois gastou o que nem podia com o outro advogado.

Do lado de cá, já me deparei com alguns casos de colegas que roubaram seus clientes, repassando um valor bem a menor que o devido. E isso é constrangedor para toda a classe. E o mais comum: advogados reclamando que os clientes incomodam demais e os clientes reclamando que não conseguem falar com seus advogados.

Enfim, todos nós, de um lado ou de outro, pecamos nesta relação. E apesar de me indignar nestas situações, depois acabo fazendo piada, afinal, somos seres humanos e relações humanas são assim mesmo.

Mas, uma coisa não perdoo: cliente, depois de me contratar, procurar outro profissional e chegar no escritório dizendo que o outro disse que estou agindo errado. Ou mesmo, sem procurar ninguém, dizer que estou com descaso com o processo. Nas poucas vezes que passei por isso, devolvi todos os documentos do cliente e renunciei ao caso, mesmo diante dos protestos deles. Quem, nestas situações, saiu do meu escritório sem levar sua papelada e minhas razões formais de renúncia, receberam tudo via carta registrada. Pra mim, a confiança foi quebrada e não me interessa manter relação profissional com aquela pessoa. As pessoas tem direito de não concordar com o caminho que escolhi para fazer valer aquela tese, mas deve conversar comigo e não acusar, ameaçar ou agir de maneira tão arrogante. Especialmente, porque em todos os casos em que isso aconteceu, eram pessoas que reclamaram sérias dificuldades financeiras e que, em razão disso, cobrei honorários bem abaixo do que deveria.

Bom, diante de tudo que contei, só posso aconselhar que, sim, busque sempre informações sobre seu caso, antes e depois de escolhido o profissional. Porém, tenha cautela depois da contratação. Não destrua a relação com o profissional que te socorreu quando você precisou. Escolha bem seu advogado, pesquise tudo e todos sobre seu processo e contrate o profissional em que você confia. Se no decorrer do processo, essa confiança se quebrar, não hesite em contratar outro advogado, informando para o anterior que você não está satisfeito com a conduta dele. Não há problema nisso. Problema é acusar sem ter fundamento.

Ah, não tem como arcar com honorários de um advogado em quem realmente confia? Só lamento! Dinheiro pra cerveja, pro aniversário do seu filho, pra viagem, sempre aparece, né?! Uma questão de prioridades. Se você mesmo não valoriza o seu caso a ponto de, com ou sem sacrifício, pagar um profissional que lhe transmita confiança, não exija isso do outro.

E, “pelamordedeus”, pare de ligar para o advogado que você contratou. Insistência não fará seu processo andar mais rápido ou o profissional agir melhor. Ao contrário do que você pretende, isso não faz ninguém ter mais zelo com sua causa que com as demais, apenas cria antipatia e descaso com suas tentativas de contato, dificultando inclusive que você consiga encontrar o advogado quando realmente tiver algo importante a dizer.

Pra encerrar, lembrei de um caso que me constrangeu bastante. Certa vez, precisei fazer a defesa de uma senhora que, sem costume de usar lingeries, era acusada de mostrar as partes íntimas no local de trabalho. Orientei, conversei, expliquei e lá fomos nós para a audiência na Corregedoria. Quando perguntada se realmente tinha tal hábito, ela negou, indignada e pra provar que usava, sim, lingerie, abaixou o decote e a manga mostrando os peitos dentro do sutiã novinho, para o Presidente da Comissão Processante. Quase explodi tentando segurar o riso.

Vou te contar, advogado sofre, viu?!

E se você, cliente, sofre também, entre em contato conosco no www.alodoutora.com.br, estamos à disposição para te orientar. Conte conosco!

Muita luz pra vocês!